Sexta, 08 Março 2019 02:41

Agenda 2030 e equidade de gênero

A representatividade feminina na política é essencial para que políticas públicas relacionadas ao empoderamento econômico e social das mulheres sejam implementadas de forma eficaz na sociedade. Neste 8 de março, Dia Internacional da Mulher, lembramos a data como um marco de lutas pela igualdade e pela ocupação de espaços pelas mulheres. A ONU Mulheres no Brasil junto à Procuradoria Especial da Mulher no Senado Federal criaram uma campanha 50-50 para tentar aumentar a representatividade feminina nas ocupações políticas nas últimas eleições.


Em entrevista ao IBRAPP, a representante da ONU Mulheres no Brasil, médica e PH.D, Drª Nadine Gasman, falou sobre igualdade de gênero como uma das temáticas de maior importância da agenda 2030 promovida pelas Nações Unidas. “Nessa oportunidade nós desenvolvemos, em 2016, uma proposta no Brasil, de cidade em cidade, como uma forma de engajar os candidatos e as candidatas das eleições de prefeitos e vereadores para a produção de uma agenda mínima de igualdade política”, explicou a Drª Nadine.  Em 2018 ela também convidou os candidatos e candidatas a aderirem a mesma ideia de um Brasil igualitário nas eleições gerais. A participação política e a presença da mulher na promoção da saúde, educação e o empoderamento econômico são algumas das características da agenda mínima que age principalmente na eliminação da violência contra as mulheres e na paridade de gênero. De acordo com a Drª Nadine, a partir deste trabalho que: “foi possível aumentar em 50% o número de mulheres eleitas e chegar a 15% de representação total no Congresso. Essa é apenas uma das conquistas que ainda está em andamento, o intuito é chegar a 50% de representação total no Congresso”.


Apesar do aumento significativo na representatividade políticas, as mulheres ainda enfrentam discrepâncias sociais e o empoderamento econômico ainda é a melhor forma de reduzir índices de violência contra a mulher e de fornecer recursos necessários para que essas mulheres possam conquistar seus objetivos de vida de forma igualitária.

Estatísticas e desafios


Existem estatísticas na América Latina com nove países que demonstram segundo a Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios – PNAD, que as mulheres dedicam cerca de 21h semanais ao que chamamos de serviço domésticos.  Quando comparamos os homens com as mulheres, eles trabalham seis horas a menos.  Segundo a ONU, O Brasil não tem feito a conta, mas países como o México tem monitorado nas contas nacionais e nas contas satélites e de acordo com o PIB demonstrando que o trabalho doméstico compõe mais de 20% do PIB e ainda assim não é reconhecido.

As políticas de incentivo a igualdade de gênero também precisam visar a questão salarial de forma mais aprofundada, a Drª Nadine cita que existe uma brecha a nível global de 27% de diferença, um terço do trabalho em que o homem ganha 1 dólar enquanto as mulheres ganham 77 centavos. As atribuições salariais onde um homem e uma mulher que ocupam o mesmo cargo, com mesmas finalidades e formações acadêmicas iguais, demonstram que ainda assim mulheres ganham menos que os homens.


A proposta da ONU Mulheres, e o que se tem visto no coração da agenda 2030 está na igualdade, proporcionando políticas públicas centrais onde as mulheres possam ser mais valorizadas, mas também reconhecidas diante da agenda. O reconhecimento na construção de um planeta 50-50, um planeta igualitário como um passo decisivo para a igualdade de gênero e uma forma de trazer a visão do que tem que ser feito para as mulheres, com as mulheres e para as mulheres na agenda 2030.

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